Archive for julho, 2009

Quando caem as escamas

– O que aconteceu Fernando? Vim correndo assim que me disseram que você não estava bem.

– Não é necessária tanta preocupação. Encontro-me bem.

-Mas, não me parece.

-Sei o que está pensando. E sei também o que lhe falaram. Que encontro-me louco, não é?

-Bem, disseram-me que você estava com problemas…

-Não pense como eles, não te tornes mais um sonâmbulo que acredita viver, mas que na verdade ainda dorme sono profundo, e nunca sequer abriu os olhos para conhecer a luz.

O que acontece comigo, é que despertei da total letargia e agora enxergo coisas que minha cabeça, antes adormecida, não poderia perceber. E como todos os outros ainda têm suas pálpebras cerradas, não conseguem compreender.

– Então fale-me. Descreva-me tal epifania. Talvez eu  seja capaz de entender.

TUM!

-Então responda-me. Que significância tem, em nosso mundo, esta minha forte pisada na terra?

– Ao meu ver, é um gesto insignificante.

– Preste bem atenção! E para todas estas formigas que seguiam com seu trabalho em busca de alimento? Agora, encontram-se assustadas e correm de volta ao seu formigueiro, sem nenhum pedaço da comida que almejavam levar. E há grandes chances de todo ele morrer de fome hoje, por conta de um simples gesto meu, que para os demais foi “insignificante”.

– Desculpe, mas ainda não compreendo.

– Tais insetos, não têm consciência… mais que isso… não têm a mínima idéia do que as fez voltar para casa. Você sabe por quê? Porque nenhuma delas tem a noção da existência de uma outra forma de vida, de tamanhos descomunalmente maiores que os seus: nós, os seres humanos. E sabe-se lá se elas têm consciência de sua própria existência.

– Agora, estou ficando realmente preocupado. Não entendo sua linha de raciocínio.

– Tenha paciência. Pois chegou a grande questão: E nós? Você, e eu e todos os outros dormentes? Somos formigas para quem?

Nós, assim como elas, não temos ao menos a consciência do existir.

– Espere! Mas eu sei que existo.

– Mas não sabe o pra que e o porquê. Não sabe com que sentido e com que finalidade. E ao meu ver, dá no mesmo.

– Consigo entender-lhe, amigo. Mas confesso que falta-me muito para compreender.

– Está vendo só? Mais um para atirar-me a pedra de louco. Mas, se o prêmio que se recebe, por conseguir retirar as escamas dos olhos, for a loucura, eu aceito de muito bom grado. Antes ela, do que voltar a ser um boi. Pastando, dormindo, acordando. Ora fugindo, ora seguindo o som de um berrante, junto com todos os outros que ainda ruminam. Eu acordei,… e vi os peões e aprendi a fazer soar a trombeta, e via  a cerca e o que há por trás dela. E digo-lhe com o coração transbordando em felicidade: não ficarei  preso em um curral nem por mais um segundo.

Sinto-me bem em poder ver, com os olhos relmente abertos, que existem vidas menores, que parecem ser inferiores a nós. E que assim também somos, em relação a outras formas de vida, que não cabe em nossa percepção conceber a existência.

Sinto-me feliz ainda, por conseguir ver os fios das teias que ligam e conectam todas essas esferas, que podem até ser infinitas em quantidade, assim como o universo o é em tamanho.

               Pois se sou louco e minha mente criou tudo o que vejo, VIVA à loucura e à inteligência humana.

               Mas se sou um visionário, 10 VIVAS à quem tudo isto criou.

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Despertar…

 mandalaHoje não me entendes, pois ainda dormes,  sonhando estar acordado

Mas quando abrires teus olhos, lembra de mim e de tudo o quanto te disse

Talvez não esteja mais ao teu lado, e poderás até pensar que fui apenas mais uma fantasia de teus sonhos, agora, tão sem sentido

Não procures por minha face, nem por minha voz, nem sequer pela forma que eu possuía quando estava em tua companhia

Não busques  lembrar de ti mesmo e nem da vida que pensavas levar, isso pode levar-te à loucura, ou te jogar novamente no sonambulismo ao qual pertencias

Somente sigas o fluxo, mas que isso, seja-o

Contempla-Te , reverencia-Te, devota-Te a Ti mesmo

E quando tu Te abraçares, consumindo de fato a união, nos encontraremos, todos nós

Para mais uma vez seguirmos juntos… e sonharmos… até um Novo Amanhecer.

Dessa vez que seja eterno…

Quero que dure pra sempre

As risadas, a música do violão,  a lua e as estrelas no alto

As ondas levam minhas sandálias

Mas eu vejo e nem me importo

Não precisarei delas pra onde estou indo

Não é a primera vez que sinto isto

Mas hoje parece ser real

Uma festa infinita

Não existe mais o passado e e nem o que passou

Só o  futuro, mas alheio: sem planos ou projetos

Apenas a certeza que tudo que vier a acontecer, será o melhor