Archive for junho, 2009

Pro Fundo…

pocoÉ no buraco daquele foço

Que mora aquele tal moço

Que sofre do coração

Aquele que se encontra perdido

Que está por dentro ferido

Sem esperar cicatrização

É no fundo daquele abismo

Que se encontra o ceticismo

Que um dia lá lancei

Pra um dia poder ver a passagem

Mesmo que a tal seja miragem

E que um dia atravessarei

É no final daquele precipício

Que se encontra o suplício

Que um dia lá joguei

Pra viver enfim de verdade

Sentir a saudável saudade

Do que nunca me tornei

É no fim daquele caminho

Esse que cruzo  sozinho

E que um dia teminarei

Que se encontra a paz desejada

A felicidade tão almejada

E somente lá  descansarei

“Liberdade aos diferentes”

loucuraOlá a todos. Antes de mais nada, deixe-me apresentar-me, chamo-me Ângelo e gostaria de dividir um pouco da minha história com vocês.

Nasci em uma boa família, não dessas perfeitas, que se vê em livros de histórias ou em filmes, mas uma família muito carinhosa e muito cheia de amor.

Minha infância foi maravilhosa. Graças a Deus, a tecnologia ainda não havia tomado conta de tudo, deixando-me a oportunidade de brincar, correr, conversar e aprontar bastante ao ar livre (como toda criança que se preze). E isso fiz o máximo que pude, tanto é que hoje tenho boas lembranças dessa época mágica da minha vida.

Minha adolescência foi como a de qualquer outro: cheia de conflitos, mas também prazerosa por tantas descobertas que são feitas nesse período. Tinha o sonho de ser famoso, era esse meu maior desejo. Pensava horas o quanto seria bom sair de casa, nem que fosse até a esquina comprar pão, e cumprimentar calorosamente todos que encontrasse pelo caminho. Era algo especial que sentia dentro de mim que me fazia sonhar de tal forma, pensava eu.

Era como se algo muito bonito em meu interior gritasse, na vontade de sair e mostrar-se ao mundo inteiro. Mas era eu ainda um rapaz muito jovem e inexperiente, e como já havia dito, encontrava-me em uma fase de descobertas. Mas infelizmente uma destas não foi-me muito positiva.

Quando comecei a ingressar no universo dos jovens de minha geração, todos tão descolados e tão aparentemente seguros de si, deparei-me diante de uma escolha que mudaria toda minha vida dali pra frente: experimentar drogas ou não?

Infelizmente fiz a escolha errada e o preço que pago até hoje é dolorosamente muito caro.

Todos os meus sonhos vieram a ruína quando me descobri em um surto psicótico desencadeado pela droga. Já não conseguia interagir com as pessoas, agir e nem ao mesmo pensar da mesma forma que antes. Tinha a vaga sensação de que havia algo de diferente em mim, na minha forma de pensar e ver as coisas, era algo que fugia ao meu controle, mas mesmo assim sentia-me como uma pessoa normal, agindo de forma natural.

O pior aconteceu meses depois, quando mesmo dentro de meus delírios e de meus labirintos internos, ouvi o médico dizer a palavra esquizofrenia, e que daquele momento em diante, não poderia conviver com o restante da sociedade – digo restante pelo fato de ainda sentir-me como parte dela.

Aquilo que havia de especial em mim e que eu tanto queria mostrar ao mundo, acabou tornando-se um refúgio solitário, pois era eu o único a ter acesso.

Meu grande sonho de tornar-me famoso terminou no completo extremo: encontro-me hoje num manicômio , sozinho e no completo esquecimento junto há vários outros que passam pelo mesmo processo.

Meus laços familiares e de amizade foram completamente rompidos, pelo fato de eu não mais existir mesmo ainda existindo, pois com minhas mudanças de compotamento, tornei-me outra pessoa, muito diferente daquela que costumei ser por toda minha vida. Por isso não recebo mais visitas. Muitos deles ainda vinham ver-me assim que mudei-me para cá, mas a frequência começou a diminuir, já que todos se frustravam por não encontrar mais seu amado parente ou velho amigo, mas sim, uma pessoa de personalidade diferente, mas de aparência igual.

Mas mesmo os loucos sonham, e meu útimo artifício e o legado que posso deixar, na esperança de alcançar a tão almejada fama, é este pedaço da minha história. Para que sirva de aprendizado para aqueles que se encontram diante da decisão que há muito já fiz, mas tenham a sabedoria de dizer um NÃO. E que sirva para aqueles que discriminam os “diferentes” neste mundo, refletirem que somos loucos, mas ainda somos seres humanos, e por isso ainda possuímos sonhos, desejos e sentimentos.

Obrigado a todos pelo tempo gasto com a leitura de minhas palavras, e se Deus quiser, com o tempo gasto com a reflexão.

                                  Abraços a todos

                                        Ângelo

 

                         PELO MOVIMENTO ANTIMANICOMIAL

                                                                   E

                                         PELO NÃO  ÀS DROGAS.

Partilha

O solSe as estrelas brilhassem somente para mim, pediria a Deus para dividi-las com todos os meus irmãos, pois eu sei a capacidade que elas têm de retirar dos corações, toda sensação de solidão e desesperança. 

Se o sol aqucesse somente a mim, pediria a Deus para dividi-lo com todos aqueles que possuem seu coração em estado de congelamento, para que ele os derretessem, e os sentimentos mais sublimes viessem a tona, fazendo brilhar a Terra por todo universo.

Se o encanto da lua fosse todo meu, pediria a Deus para dividi-lo com todos aqueles que desconhecem a força do amor, pois é amando que se conhece o mundo de Deus… porque Deus é o Amor.

Due<>elos

meioSempre dual:

So o bem e o mal,

O comum e o anormal,

O céu e o inferno,

O antigo e o odierno,

Ou a flecha, ou a cruz.

Sempre há treva ou há luz.

Escolho o caminho do meio

Que ao equilibrio conduz!

Dois talheres!

OgAAAG3k34Va3EPQ9s2UZ25UnY_TR2fATAyOacYeQectI3Jd7uYQroI6y4KgUpkaqf4jtFvUV690W0FvvE9tS0LrMicAm1T1UPUOK2f9d-oCiOFMKt6_EUsvUiStMinhas palavras teimam  sair em forma de poesia

Pra que se torne mais lírica a expressão da nostalgia

Dos bons momentos que tive em tua companhia

Conversas, risadas e confissões todos os dias

Dividir o mesmo prato

Prova de amizade de fato

Cada dia um novo relato

De um mundo nosso tão abstrato

Ganhou entradas pro meu universo

Conferiu conteúdos diversos

Dos superficiais aos transversos

E hoje ganha estes sinceros versos

Olhos meigos que tanta luz traz

Quanto tempo será que já faz

Que tua voz não escuto mais:

“Matheus, tu viaja demais!!”